Automação sem governança cria uma nova dívida operacional
Automatizar um processo ruim entrega o mesmo problema mais rápido — e agora sem ninguém olhando.
Automação tem uma característica perigosa: ela retira o processo do campo de visão. Enquanto uma pessoa executava a rotina, havia julgamento no meio do caminho — alguém estranhava o número esquisito. Depois de automatizada, a rotina roda em silêncio, inclusive quando está errada.
As três dívidas mais comuns
Dívida de desenho. Automatizamos o fluxo existente, com exceções e retrabalho embutidos. Ganhamos velocidade e perdemos a chance de simplificar. Antes de automatizar, vale perguntar quantas etapas existem apenas por herança.
Dívida de propriedade. A automação foi criada por um time que hoje faz outra coisa. Ninguém responde por ela, mas a operação depende dela. Quando quebra, começa uma arqueologia.
Dívida de observabilidade. Não há log útil, alerta, nem indicador de sucesso. A falha só aparece quando um cliente reclama, semanas depois.
Um mínimo viável de governança
Não precisa de comitê. Precisa de disciplina em poucos itens.
- Dono de negócio nomeado, não uma área genérica.
- Critério de sucesso declarado antes de subir.
- Log e alerta de falha chegando a alguém que age.
- Revisão periódica com decisão explícita: manter, ajustar ou desligar.
- Registro do que acontece se a automação parar por 24 horas.
O ponto que costuma ser esquecido
Desligar é parte do ciclo de vida. Portfólio que só cresce não é maduro, é acumulado.
Automação bem governada é uma das formas mais baratas de gerar capacidade em uma organização. Mal governada, é uma dívida que ninguém registrou — e que cobra juros na pior hora possível.
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